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Sessão da Meia Noite

Comentários pessoais e (in)transmissíveis sobre cinema e televisão.

Sessão da Meia Noite

Comentários pessoais e (in)transmissíveis sobre cinema e televisão.

The Shootist

Há atores cujo trabalho é reconhecido sem margem de dúvida pela grande generalidade dos intervenientes do mundo cinematográfico. Um desses casos é, indubitavelmente, John Wayne.

 

Reconhecido pelos westerns clássicos como A Velha Raposa (1969), Rio Bravo (1959) ou Rio Grande (1950), é quase sempre o atirador solitário pronto a ajudar, ou a corrigir injustiças. Hoje comentamos a sua última presença na tela.

 

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The Shootist – O Atirador, 1976, de Don Siegel, com John Wayne, Lauren Bacall, Ron Howard, James Stewart, Richard Boone, Hugh O’Brien, Bill McKinney, Harry Morgan, John Carradine, Sheree North, Rick Lenz, Scatman Crothers, Gregg Palmer, Melody Thomas Scott.

 

The Shootist é J.B. Books (John Wayne), um atirador do velho oeste, envelhecido e doente, que retorna a Carson City, uma cidade desenvolvida e civilizada, em busca de uma segunda opinião acerca de um diagnóstico médico pouco favorável.

 

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O médico local, Dr. Hostetler (representado por James Stewart), confirma o diagnóstico de cancro em fase terminal, com uma estimativa de vida de um mês ou dois.

 

Books fica então hospedado na casa de Bond Rogers (Lauren Bacall) e do seu filho Gillom Rogers (Ron Howard), procurando a melhor forma de aproveitar os dias que lhe restam, ao mesmo tempo que busca uma forma digna e com um mínimo de dor para o inevitável.

 

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Este é um caso onde temos a possibilidade de ver um pouco da grande capacidade dramática de John Wayne, num registo fora do território inóspito do velho oeste poeirento e pouco civilizado, num contraponto de representação muito rico com Lauren Bacall, e catalisado pela energia de um muito jovem Ron Howard.

 

Aliás, toda a energia interessante e forte do filme, tem em atenção a realidade por detrás da obra.

 

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Para começar, John Wayne debateu-se com problemas de saúde durante o período de rodagens do filme, problemas esses essencialmente cardíacos e uma forte gripe. Toda a debilidade inerente às doenças é tentada disfarçar pelo ator que havia sido operado alguns anos antes a um cancro nos pulmões.

 

No entanto, estes problemas de saúde acabam por encaixar no personagem, tornando a representação mais real, ainda que John Wayne nunca tivesse gostado de demonstrar as suas fraquezas em público.

 

James Stewart também faz as suas cenas já com problemas de saúde, essencialmente auditivos. Por estas questões, James tinha quase deixado a representação, e o seu último filme antes deste foi estreado em 1972.

 

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Aliás a sua presença neste filme foi um pedido expresso de John Wayne, que achou que o papel do médico era perfeito para a estrela de Vertigo (1958) e Rear Window (1954).

 

Esta é uma grande obra com grandes atores, e o especial talento na realização de Don Siegel (que já havia caído nas boas graças de Clint Eastwood), numa despedida com muita qualidade de um grande ator, e uma referência para sempre no cinema, especialmente no género nos westerns.

 

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A comprovar esta nossa opinião estão as nomeações para os mais diversos prémios, incluindo a nomeação para Óscar de melhor direção artística, cujo vencedor acabou por ser Os Homens do Presidente (1976), sobre o escândalo de Watergate.

 

Este é um filme, que acaba por ser um drama como cheirinho a western, e é imprescindível para qualquer estudioso do cinema moderno, numa despedida justa e digna a um ícone, muito à semelhança da sua personagem J.B. Books.

 

Classificação SMN: 8/10.

 

 

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