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Sessão da Meia Noite

Comentários pessoais e (in)transmissíveis sobre cinema e televisão.

Sessão da Meia Noite

Comentários pessoais e (in)transmissíveis sobre cinema e televisão.

Sundance Film Festival 2016

O Sessão da Meia Noite também terá incursões fora dos comentários a filmes ou documentários, mas sempre na mesma temática. Hoje iremos abordar o mais relevante festival americano de cinema independente – Sundance Film Festival.

Sundance institute pic.png

 

O Sundance Film Festival é a mais importante mostra de cinema independente americano, fora dos circuitos super comerciais dos grandes estúdios de Hollywood. Trinta anos de história fizeram-no crescer de um modo que possivelmente ninguém esperava, para um festival que começou em 1985 só com 2 cinemas, 86 filmes e um staff de 13 pessoas.

 

Fundado em 1981 por Robert Redford, o Instituto Sundance, que é responsavel pela realização do Sundance Film Festival, pretende ser um catalizador de histórias independentes para os palcos e os ecrãs, criando condições para que os artistas possam dispôr de espaço mediático no cinema, teatro, e restantes artes cénicas.

 

Robert Redford, Presidente e Fundador: “Storytellers broaden our minds: engage, provoke, inspire, and ultimately, connect us.”

 

Em 2015 o festival teve 12.166 submissões de filmes para concurso, dos quais 183 foram selecionados para visionamento nas 6 salas do Festival, que foram visitadas por cerca de 48.400 pessoas. Estes números só por si demostram o crecimento de 31 anos e a forte aceitação do público.

 

Sundance theater 2016.jpg

 

Esta é só uma pequena parte da atividade do Sundance Intitute que também realiza e patrocina laboratórios de cinema, teatro, composição digital, além de outros eventos Sundance fora dos Estados Unidos.

Sundance 2016 banner.png

 

O festival de 2016 que decorreu entre 21 e 31 de janeiro, teve como vencedor aclamado “The Birth of a Nation” de Nate Parker que arrecadou os prémios do Júri e do Público, não deixando grandes dúvidas no apelo criado pela história de um escravo que liderou o movimento de libertação de afro-americanos na Virgínia em 1831, e que resultou em violentas retaliações por parte dos brancos.

 

Todas estas críticas consensuais fizeram com que a Fox Searchlight Pictures comprasse os direitos de distribuição mundial deste título por 17,5 milhões de dolares, no maior negócio na história do festival. Isto tudo para um filme que custou cerca de 100.000 dólares parece excelente.

the-birth-of-a-nation.jpg

 

Nos documentários o vencedor foi “Werner” que nos conta o percurso pessoal e político do congressista Anthony Werner, desde o escândalo sexual que envolveu fotos íntimas e a sua conta de twitter, até à sua busca de redenção numa candidatura a Mayor de New York.

Esta obra de Josh Kriegman e Elyse Steinberg foi o documentário mais debatido em Sundance e venceu o Grande Prémio do Jurí na sua competição.

 

Menos consensual e até com diversas críticas negativas e algum desagrado nas reações do público, o Prémio de Melhor Realização foi para os estreantes Daniel Scheinart e Daniel Kwan para o filme “Swiss Army Man”, onde Daniel Radcliffe encarna um cadáver com flatulência (muito estranho !!!!!!).

SWISS-ARMY-MAN.jpg

 

Com excelentes impressões da crítica especializada mas fora dos prémios principais, outros títulos marcaram o festival como: "Agnus Dei", filme polaco protagonizado por Agata Kulesza (conhecida entre nós por "Ida"); "Operation Avalanche", um pseudo-documentário que ressuscita a teoria de que a aterragem na Lua, pela Apollo XI em 1969, foi forjada pela CIA; "Morris From America", drama afro-americano sobre crescimento e maturidade; "Certain Women", a ternura no feminino com Laura Dern, Kristen Stewart e Michelle Williams; e "Love and Friendship", uma incursão de Whit Stillman, um dos principais nomes do cinema indie norte-americano, aos territórios narrativos de Jane Austen.

 

No site do Festival pode ser consultada a lista oficial dos vencedores.

 

Dificilmente alguns destes títulos chegarão ao circuito comercial português. Resta-nos o mercado de DVD e streaming para possibilitar conhecer estas obras.

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