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Sessão da Meia Noite

Comentários pessoais e (in)transmissíveis sobre cinema e televisão.

Sessão da Meia Noite

Comentários pessoais e (in)transmissíveis sobre cinema e televisão.

São Jorge

De volta ao cinema português, o Sessão da Meia Noite viu recentemente um dos filmes portugueses mais premiados do ano passado e que nos suscitou mais expectativa.

 

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São Jorge, 2016, de Marco Martins, com Nuno Lopes, Mariana Nunes, David Semedo, José Raposo, Jean-Pierre Martins, Ricardo Fernandes, Rodrigo Almeida, Paulo Batata, Beatriz Batarda, Gonçalo Waddington, Adriano Luz.

 

O argumento é uma história tirada do passado recente de Portugal, numa altura em que o País se viu envolvido numa das piores crises económicas e sociais de sempre.

 

Os anos da Troika, como ficaram conhecidos, começaram em 2011 e trouxeram ao País o garrote da ajuda externa, constituído por um conjunto grande de medidas destinadas a reequilibrar as contas do Pais, mas cuja consequência direta foi o agravar das condições de vida.

 

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Saída deste contexto, é a nossa história sobre um jovem pobre e desempregado – Jorge (Nuno Lopes), praticante de boxe, que se vê obrigado a trabalhar como “segurança” numa agência de cobranças, de modo a evitar que a sua mulher (Mariana Nunes) e filho (David Semedo) voltem para o Brasil.

 

Jorge, é um católico temente a Deus e crente em São Jorge – o santo guerreiro, que não desiste, e luta para sobreviver num mundo difícil e sem oportunidades.

 

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O seu trabalho como “agente de cobranças” leva-o para um mundo de violência e crime, difícil de conciliar com o seu forte caráter.

 

O Jorge de Nuno Lopes é um homem que luta pela consistência da sua família, forçado a ir contra a sua personalidade, numa luta moral constante entre a necessidade e o correto.

 

Nuno Lopes tem um desempenho extraordinário, muito acima dos seus co-atores, suportando um filme que é essencialmente sobre as dificuldades de sobreviver, num meio adverso, sem oportunidades, sem base de apoio familiar, e onde a moral é algo discutível.

 

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O filme vive da presença do seu protagonista, quase como se de um documentário se tratasse sobre o passado recente do País.

 

Apesar dos prémios ganhos serem merecidos, não deixamos de ficar como a sensação de expetativas só meio cumpridas pois, além da performance de Nuno Lopes, o filme não tem muito mais.

 

O argumento parece curto, e sem grandes ramificações. Na realidade estávamos à espera que o boxe tivesse um papel mais importante na desenvolver da trama.

 

 

De qualquer modo, é um filme imperdível pela qualidade de interpretação de Nuno Lopes que não é normal.

 

Mas não estejam à espera de um filme alegre …

 

Classificação SMN 7/10.

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