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Sessão da Meia Noite

Comentários pessoais e (in)transmissíveis sobre cinema e televisão.

Sessão da Meia Noite

Comentários pessoais e (in)transmissíveis sobre cinema e televisão.

Room

Continuando a viagem pelos filmes galardoados com Óscares neste ano, o Sessão da Meia Noite viu recentemente o Room – Quarto.

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Room – Quarto, 2015, de Lenny Abrahamson, com Brie Larson, Jacob Tremblay, Sean Bridges, Joan Allen, William H. Macy.

 

Este filme foi uma das surpresas do ano na época dos prémios americanos de cinema “Awards Season”, pois sendo uma produção completamente independente conseguiu acumular nomeações e prémios fora da normalidade para outsiders em Hollywood.

 

O argumento de Emma Donoghue é uma adaptação de um romance escrito também por ela, onde acompanhamos a história de Jack – Jacob Trembly e sua mãe Ma/Joy Newsome – Brie Larson, que se encontram cativos numa sala – “room”, sem puderem sair.

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Percebemos mais tarde que Joy foi raptada quando tinha 17 anos por um homem – Old Nick, que a fechou no seu barracão de jardim e a passou a tratar como escrava sexual. Desses encontros, alguns anos mais tarde, nasce Jack, que é forçado a partilhar o mesmo espaço sem puder sair.

 

Jack nunca esteve fora do quarto, pelo que o trata como a totalidade do seu universo, personificando alguns móveis. Este seu universo claustrofóbico só é um pouco ampliado por uma televisão, a preto e branco, que existe no quarto.

 

Com o desenrolar da história algumas questões vão surgindo:

  • Porque Joy não tinha fugido?
  • Como tinha aguentado tanto tempo naquele espaço exíguo?
  • Porque parece tão conformada?

 

Ao longo do filme vamos percebendo que a razão inicial foi o medo que esta tinha de Old Nick, mas que mais tarde foi substituído pelo instinto protetor para com Jack.

 

Joy criou um mundo para Jack fazendo com que, apesar da televisão, ele não sentisse falta do mundo exterior e de tudo o que as crianças da sua idade costumam fazer, pois também nunca as tinha experienciado antes.

 

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Contudo, o quinto aniversário de Jack põe em movimento uma série de eventos que irão culminar na fuga de mãe e filho do seu cativeiro e a sua exposição ao mundo exterior.

 

O trabalho do realizador Lenny Abrahamson, juntamente com as performances extraordinárias de Brie Larson e do estreante Jacob Tremblay, transportam-nos para o interior daquele quarto claustrofóbico, tentando perceber os quês e porquês daquela situação, e torcendo para que a fuga seja bem-sucedida.

 

Com a fuga levanta-se outro problema que é a readaptação ao mundo exterior por parte de Joy e o seu ressentimento por ter estado tanto tempo presa, e a completa descoberta de um mundo completamente novo por parte de Jack.

 

 

No fundo, a história não é um policial onde temos um crime para ser desvendado, mas sim um conto sobre a ligação estreita entre mãe e filho, em condições psicológicas extremas que se molda ao espaço do quarto e que, uma vez no exterior, têm muitas dificuldades em se reajustar.

 

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Este filme é psicologicamente exigente, uma vez que trata de assuntos e situações muito injustas e penosas, envolvendo uma criança de cinco anos, mas que vale muito a pena pela qualidade das interpretações que nos levam para aquele quarto e nos colocam quase no lugar dos protagonistas.

 

Vemos aqui que o Óscar atribuído a Brie Larson é completamente justificado (Melhor Atriz Principal), sem qualquer desprimor para Cate Blanchett, cuja interpretação em Carol também está num nível muito elevado.

 

 

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