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Sessão da Meia Noite

Comentários pessoais e (in)transmissíveis sobre cinema e televisão.

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House of Cards - T1 a T5

O Sessão da Meia Noite tem vindo a acompanhar uma série de thriller político do Netflix mas, até à data ainda não tinha havido a oportunidade de fazer o nosso comentário.

 

House of Cards começou como uma experiência, mas rapidamente nos agarrou e nos convidou para os meandros das sedes de poder e corrupção política Norte-Americanas.

 

Assim, e uma vez que já vimos todas as temporadas disponíveis (cinco), vamos fazer uma pequena resenha da história de House of Cards e das temporadas passadas, mas com especial enfoque na temporada 5.

 

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House of Cards – Temporada 5, 2017, de Beau Willimon, com Kevin Spacey, Robin Wright, Michael Kelly, Derek Cecil, Kate Mara, Corey Stoll, Sebastian Arcelus, Michael Gill, Dan Ziskie, Mahershala Ali, Boris McGiver, Jayne Arkinson, Sandrine Holt, Rachel Brosnahan, Milly Parker, Gerald McRaney, Curtiss Cook, Jimmi Simpson, Elizabeth Marvel, Paul Sparks, Joel Kinnaman, Kim Dickens, Lars Mikkelsen, Neve Campbell, Campbell Scott, Patricia Clarkson, Dominique McElligott, Damian Young, James Martinez, Reg E. Cathey, Colm Feore, Reed Birney.

 

House of Cards é uma série que estreou em 2013 pela mão da Netflix, e que nasceu da adaptação de uma minissérie homónima da BBC, de 1990. Os protagonistas são Frank Underwood (Kevin Spacey) e Claire Underwood (Robin Wright), um casal de políticos sedentos de poder e influência, capazes de tudo para alavancar as suas aspirações nos corredores do poder Americano.

 

Frank é um congressista democrata, eleito pelo 5º distrito da Carolina do Norte, e House Majority Whip, que para nós seria o líder da bancada democrata. Claire lidera uma organização não-governamental – Clean Water Iniciative, e não tem grande protagonismo individual, além de suportar as jogadas de Frank, numa espécie de power-couple.

 

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A primeira temporada tem início com a eleição de Garrett Walker como o novo Presidente, eleito com o apoio incondicional de Frank, no pressuposto de este ser nomeado Secretário de Estado.

 

Mas, o Presidente tem outras ideias para Frank, que implicam a sua continuidade no Congresso, o que este vê como uma traição. A partir daqui, Frank vai maquinar e colocar em prática um plano, para minar a credibilidade do Presidente, e colocar em posições chave pessoas da sua confiança, ou melhor, pessoas que lhe devam favores.

 

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Numa jogada de mestre que envolve dar informações à imprensa, alimentar e destruir um candidato democrata a Governador da Pensilvânia, forçar o Vice-Presidente a se candidatar a Governador da Pensilvânia (o seu estado natal) para que os Democratas não percam essa vantagem, Frank termina a primeira temporada a ser nomeado Vice-Presidente dos Estados Unidos.

 

Na temporada dois, Frank e o seu chefe de gabinete Doug Stamper (Michael Kelly), vão varrendo para debaixo do tapete as pontas soltas dos esquemas de Frank, e tal modo que Doug é agredido e fica incapacitado para exercer as suas funções.

 

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Mas, apesar disso, Frank e Claire continuam a conspirar contra o Presidente, minando a confiança dos seus apoiantes, armando os opositores do Presidente sobre financiamentos de campanha duvidosos, de tal modo que, no final da temporada, Frank Underwood é nomeado Presidente dos Estados Unidos.

 

Como presidente nomeado a meio de um mandato, na temporada três, Frank vai tentar apresentar trabalho de modo a ter uma posição forte nas eleições seguintes.

 

Claire Underwood começa a tentar impor a sua própria agenda, colocando muita tensão na relação do casal maravilha mas, consegue ser nomeada como Embaixadora nas Nações Unidas.

 

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Mas uma crise internacional no Vale do Jordão, envolvendo a Rússia e o seu presidente Viktor Petrov (Lars Mikkelsen) forçam a demissão de Claire do seu cargo nas Nações Unidas.

 

Numa tentativa de se autopromover, Frank contrata um escritor – Thomas Yates (Paul Sparks) para escrever a sua biografia, acompanhando o Presidente e a Primeira-dama quase em permanência.

 

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O plano da biografia não corre como planeado pois Thomas escreve de acordo com a sua consciência, e o que vê na Casa Branca, o que leva o seu trabalho a se focar demasiado na pessoa de Frank e na sua relação com Claire.

 

De igual modo Thomas começa a desenvolver uma certa atração pela Primeira-dama.

 

Todas estas situações vão aumentando os atritos no casal presidencial de tal modo que, no cair do pano da temporada três, Claire mostra a sua intensão de se separar de Frank e Thomas é despedido.

 

A temporada quatro é dominada pela companha eleitoral de Frank, pelas investidas de Claire em ser apresentada como candidata a Vice-Presidente, por um atentado à vida do Presidente, e por uma investida de radicalistas islâmicos em território americano.

 

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O atentado sofrido por Frank que o coloca em coma, deixa o seu Vice, Donald Blythe (Reed Birney) como Presidente interino que, com grande inexperiência, se volta para Claire para aconselhamento e apoio, ao que ela responde afirmativamente, manobrando as circunstâncias em seu favor.

 

Quando Frank recupera, apesar de descontente com os atos de Claire, encontra-se sem margem de manobra, pelo que cede aos caprichos de Claire, voltando o casal ao trabalho com o mesmo objetivo, apesar de agora com um afastamento pessoal quase completo.

 

A descoberta das metodologias menos corretas de Frank e Claire continua, pela mão do editor do Washington Herald Tom Hammerschmidt (Boris McGiver), que publica diversos artigos que colocam a nu os esquemas do Presidente, prejudicando os seus esforços para a eleição.

 

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O final da temporada quatro é dominado pelo rapto de uma família americana por extremistas islâmicos (aqui denominados de ICO), que introduz na trama o Governador Will Conway, mas que culmina na morte de um dos reféns em direto.

 

Chegados à temporada cinco, temos o foco todo nas eleições para a Presidência de 2016, disputadas entre Frank Underwood e Will Conway.

 

Entre muitas jogadas de bastidores utilizando como argumento a segurança dos votantes e o fecho antecipado de algumas locais de voto, a eleição termina sem um vencedor claro, pois há dois estados que se recusam a certificar os resultados.

 

Este impasse dura semanas pelo que é evocada a 12ª Emenda da Constituição e a decisão é colocada nas mãos do Congresso. Os jogos de poder e tráfico de influências continuam mas, também aqui, não é possível obter um vencedor mas, com um senão importante: Claire vence a sua eleição para a Vice-Presidência e torna-se Presidente Interina.

 

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Para resolver a situação, os dois estados onde persiste o impasse tem uma eleição especial que, termina com a vitória de Frank Underwood, devido essencialmente à quebra emocional de Will Conway, cujas provas são enviadas à imprensa antes da eleição.

 

Contudo, esta vitória de Frank não é muito celebrada pois os artigos de Tom Hammerschmidt levantam questões importantes que forçam o Congresso a abrir uma investigação, e a pedir a destituição do Presidente.

 

Numa mudança de estratégia, Frank decide resignar antes do final das investigações desde que, a Presidente que ficaria em funções (Claire) lhe atribuísse um perdão presidencial.

 

Este novo plano é colocado em marcha, não sem que antes sejam eliminadas todos as pontas soltas da história, concretamente com a morte “acidental” de diversas figuras que poderiam saber demais.

 

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A temporada cinco finaliza com Claire na Casa Branca como Presidente, a recusar os telefonemas de Frank por causa do perdão que ainda não foi atribuído, dizendo: “My turn”.

 

Esta série revela uma grande complexidade na teia de interesses que circula nos corredores do poder dos Estados Unidos, desde o Congresso até à Casa Branca.

 

Realizada com grande qualidade, o intrincado de interesses e manipulações desenvolvidas pelos Underwoods, revela um grande conhecimento do modo de funcionamento das instituições Americanas, por vezes desvirtuando o objetivo do serviço público em prol do ganho pessoal.

 

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House of Cards tem um grande desenvolvimento nas três primeiras temporadas, sendo difícil de largar a televisão. Nas duas últimas, o ímpeto inicial desacelera um pouco, com a chegada dos jogos de campanha e do radicalismo islâmico à história.

 

A capacidade de manipulação de Frank e Claire foi desenhada com grande mestria, não deixando espaço ao espetador para áreas cinzentas: ou gostamos deles ou os odiamos.

 

 

De qualquer modo, é uma excelente série que continua a merecer o nosso interesse para, o que já foi anunciado como a sua temporada final. Devido ao escândalo de assédio sexual que varre a indústria do entretenimento americana, Kevin Spacey foi despedido da série e não participará na sexta temporada.

 

Ficamos assim a aguardar a temporada final, que terá somente oito episódios e se deverá focar em Claire e nas suas novas funções.

 

Ainda sem se conhecer a data definitiva, está prevista a estreia para este ano.

 

Classificação SMN: 9/10.

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