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Sessão da Meia Noite

Comentários pessoais e (in)transmissíveis sobre cinema e televisão.

Sessão da Meia Noite

Comentários pessoais e (in)transmissíveis sobre cinema e televisão.

Branca de Neve, os Caçadores e as Rainhas Más

Em 2012, a Universal Pictures lançou um filme que, uma vez mais, pega no universo da Branca de Neve de Walt Disney, e lhe dá novo ponto de vista numa nova leitura do clássico.

 

Como o filme foi um sucesso de bilheteira, algo inesperado até para a Universal, foi decidido avançar com um novo filme da saga, numa prequela/sequela, que retorna aos mesmos personagens e alarga o seu universo.

 

É destes dois filmes que o Sessão da Meia Noite vai hoje falar.

 

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Snow White and the Huntsman – Branca de Neve e o Caçador, 2012, de Rupert Sanders, com Kirsten Stewart, Chris Hemsworth, Charlize Theron.

The Huntsman. Winter’s War – O Caçador e a Rainha do Gelo, 2016, Cedric Nicolas-Troyan, com Chris Hemsworth, Jessica Chastain, Charlize Theron, Emily Blunt.

 

O filme de 2012 é uma adaptação mais ou menos próxima da história da Branca de Neve e da Bruxa Má.

 

A Branca de Neve, protagonizada por Kirsten Stewart, foge da morte certa às mãos da rainha (bruxa) má Ravenna – Charlize Theron, que toma conta do seu reino após ter casado com o seu pai, o Rei, que sofre uma morte inesperada.

 

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Numa busca incessante pela beleza máxima, a rainha Ravenna procura a destruição de todas as suas concorrentes belas, com a ajuda da magia do espelho mágico.

 

“Mirror mirror on the wall, who’s the fairest one of all?”

 

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Como a magia não consegue chegar a todo o reino, especialmente à floresta negra, a Rainha contrata os serviços de um caçador – The Hunstman (Chris Hemsworth), para encontrar a Branca de Neve, e assim os soldados da rainha, liderados pelo seu irmão Finn (Sam Spruell), matarem a Branca de Neve.

 

O caçador é encontrado completamente destroçado e num estado deplorável, em sofrimento pela morte de sua mulher mas, persuadido pela Rainha Má e seus poderes (ao melhor estilo de do or die), embarca na busca da Branca de Neve através dos caminhos perigosos da floresta negra.

 

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No decurso da sua epopeia, o caçador vai tomando consciência das reais intensões da Rainha para com a Branca de Neve e, questionando os seus motivos, vê-se dividido nas suas próprias motivações e acaba por mudar de perspetiva e tornar-se o protetor de Branca de Neve.

 

Esta demanda acaba por ter um final feliz, como não podia deixar de ser, com a Branca de Neve a ser coroada Rainha e Ravenna “morta” (ou talvez não). A única variante dos contos de fadas é que o caçador volta à sua vida simples, fora do castelo, não ficando com a “princesa”.

 

 

As diferenças impostas pelo argumento à história original foram bem construídas pelo realizador, num exercício cinematográfico cheio de efeitos visuais, mas sempre com uma identidade própria, não desvirtuando o original e sem se tornar ridícula.

 

Boas interpretações e beleza quanto baste espalhada pela tela fazem desta obra um bom filme, cheio de motivos que facilmente explicam o seu sucesso comercial.

 

Estas motivações acabaram por originar, quatro anos mais tarde, outro tomo desta história, desta vez focada na origem e vida dos caçadores.

 

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A cronologia do argumento do filme de 2016 divide-se em duas partes distintas sendo que a primeira parte passa-se antes do filme de 2012, e a segunda após o primeiro filme, justificando assim a classificação pouco usual de prequela/sequela.

 

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O filme de 2016 permite-nos conhecer a origem traumática dos caçadores e o seu objetivo máximo, sob as ordens da Rainha do Gelo – Feyna (Emily Blunt na melhor atuação de todas nesta película, de longe), assim como a génese da própria Rainha do Gelo.

 

Numa história de amor proibido entre caçadores, percebemos como Eric (o caçador) perceciona a morte de sua mulher (Sara) e como esta situação o destrói, numa ligação cronológica com o primeiro filme.

 

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Contudo, depois desta situação traumática, o filme dá um salto de sete anos, para uma altura em que Branca de Neve já é rainha, e o seu consorte William procura Eric para lhe pedir ajuda a encontrar o espelho mágico, entretanto roubado do castelo da Branca de Neve, e evitar que este caia nas mãos da Rainha do Gelo.

 

Eric embarca em mais essa procura e, pelo caminho, juntam-se-lhe quatro anões e uma outra figura inesperada: a caçadora Sara, que se julgava morta.

 

Percebemos então que Feyna havia manipulado com magia a morte de Sara, fazendo ambos crer que os laços entre eles se haviam quebrado para sempre.

 

Tomando perceção do engano, ainda que a muito custo, embarcam na descoberta do espelho, que conseguem com sucesso, somente para o verem ser tomado de suas mãos por Feyna, numa aparente traição de Sara.

 

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Feyna ao experimentar a magia do espelho, descobre que sua irmã Ravenna, ainda que morta, tinha-se preservado no espelho e, libertada por Feyna, quer voltar a reinar sobre os domínios da Branca de Neve.

 

Nessa altura percebemos que a natureza das duas irmãs é completamente diferente, e Feyna apercebe-se da maldade inata de Ravenna e da sua sede de poder, e tenta impedi-la nos seus propósitos.

 

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Num filme em que não entra a Branca de Neve (a personagem é contudo referida várias vezes), o realizador Cedric Nicolas-Troyan luta com um argumento muito longo, que não deixa o filme respirar por entre a história de amor e a luta do em contra o mal.

 

Esta situação também resulta dos problemas existentes na escolha dos realizadores.

 

Originalmente, o realizador do primeiro filme deveria continuar o seu trabalho no segundo mas, o calendário imposto pelos estúdios impossibilitou essa opção por Rupert Sanders estar a trabalhar em “Ghost in a Shell”.

 

Foi assim substituído por Frank Darabont, na figura de realizador e argumentista, mas também este deixou o cargo devido a “diferenças criativas”.

 

Foi então escolhido Cedric Nicolas-Troyan que havia sido o supervisor de efeitos especiais em “Snow White and the Huntsman” e o diretor da segunda unidade em “Malificent”.

 

Independentemente da qualidade do realizador que acabou por ser responsável pelo filme, todas estas trocas e baldrocas, acabam sempre por se refletir na tela.

 

No geral, esta segunda aventura acaba por ser interessante de ver, com mais efeitos especiais que o primeiro filme (talvez demasiados), onde se percebe que alguns atores talvez não tenha dado o seu melhor, sendo Charlize Theron o melhor exemplo disso.

 

Pessoalmente, no Sessão da Meia Noite somos fãs de contos de fadas e de histórias com finais felizes, e nesse campo os filmes cumprem os objetivos. As realizações são competentes, e as atuações também (apesar das notas anteriores), mas no filme de 2016 Emily Blunt “rouba” o ecrã aos restantes atores.

 

Temos aqui uma visão dos contos de fadas mais negra, mais carregada, numa interessante aventura de ação.

 

 

Estes dois filmes são quase como os blockbusters de Verão, em que os nomes e os efeitos são usados para atrair os espetadores das noites nas esplanadas em direção aos cinemas.

 

Ambos os filmes poderiam ter sido melhor trabalhados, especialmente o segundo, o que certamente resultaria numa maior satisfação do público espetador assíduo das salas de cinema.

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