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Sessão da Meia Noite

Comentários pessoais e (in)transmissíveis sobre cinema e televisão.

Sessão da Meia Noite

Comentários pessoais e (in)transmissíveis sobre cinema e televisão.

Shichinin no Samurai - Os Sete Samurais

Como prometido iniciamos os comentários sobre filmes com o tag The Best Of.

 

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Shichinin no Samurai - Os Sete Samurais, 1954, de Akira Kurosawa, com Toshirô Mifune, Takashi Shimura, Keiko Tsushima, Daisuke Katô, Isao Kimura, Minoru Chiaki, Seiji Miyaguchi, Yoshio Kosugi, Yukiko Shimazaki.

 

A história deste filme é muito simples. No interior do Japão feudal, uma vila de camponeses, aparentemente pobres, é frequentemente roubada por bandidos que lhes levam as colheitas e maltratam as mulheres.

 

Cansados desta ameaça constante, os camponeses decidem contratar samurais para os defenderem. Conseguem reunir sete samurais que não seguiam um daimyo, ou seja, não tinham um mestre. 

 

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Sem qualquer promessa de fama ou fortuna, os sete amigos vão lutar pelos camponeses, e com eles, em busca de justiça e contra a o bandidismo das zonas abandonadas pelos grandes senhores da sociedade feudal.

 

Como é óbvio, a grandiosidade e imensa importância deste filme tem que ser vista à luz do tempo em que ele foi realizado, ou seja, no contexto dos anos 50 do século XX, onde o cinema ainda era, maioritariamente, a preto e branco (as experiências com a cor ainda eram reduzidas), e vivia de musicais, dramas e filmes de guerra americanos como Jailhouse Rock de Richard Thorpe e com Elvis Prestley, 12 Angry Men de Sidney Lumet e The Bridge Over the River Kwai de David Lean.

 

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Desde logo, a duração do filme: 3h 27min.

 

Muito improvável nos dias de hoje, e capaz de afastar a maioria dos espetadores dos cinemas, as quase três horas e meia de filme conduzem-nos pelos três atos da história de um modo que não damos pelo tempo a passar. Naquilo que é uma grande vitória da realização e da edição, o filme mantêm-nos interessados apesar da sua longa duração.

 

Nos tempos em que vivemos, onde o imediatismo da internet e a velocidade da informação levam a descartar obras que exijam muito tempo, este filme teria muitos problemas comerciais. Curiosamente, já na altura, a versão americana do filme tinha menos 50 minutos de duração.

 

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Algumas técnicas cinematográficas são aqui conjugadas com sucesso pela primeira vez, como as imagens em câmara lenta para aumentar o efeito dramático, e a tipificação do herói relutante.

 

Akira Kurosawa também usa pela primeira vez múltiplas câmaras para filmar o mesmo take, de modo a não interromper a ação e assim ter mais opções para a pós-produção.

 

Em termos de cenários, a aldeia dos camponeses foi totalmente construída em Tagata, na península de Izu, próximo de Shinozuka, após a recusa de Akira Kurosawa em filmar a ação em cenários nos Toho Studios.

 

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Ele afirmava que, apesar das restrições de óbvias nas filmagens, a qualidade do set influenciava a qualidade das performances dos atores.

 

A necessidade de realismo, acabou por sofrer muito com as tempestades que danificaram cenários e atrasaram a produção. Estas situações contribuíram para o escalar dos custos de produção que terão ficado quatro vezes acima do orçamento original, e quase levaram a produtora de Akira Kurosawa à falência.

 

Curiosamente, vimos uma situação em tudo semelhante em Apocalypse Now (1979) de Francis Ford Coppola com a sua Zoetrope Studios.

 

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Além de todas as inovações técnicas empregues nesta obra, Os Sete Samurais não deixa de questionar a estrutura social muito rígida e estratificada do Japão medieval, onde as diferentes classes sociais não se deviam misturar.

 

Os dois exemplos mais claros deste facto no argumento são um samurai que nasceu camponês, e o romance entre uma camponesa e um samurai, negado pelo pai da camponesa.

 

Todas as inovações técnicas e a estrutura narrativa desenvolvida pelo brilhante realizador japonês, deram origem a filmes de muito sucesso como The Magnificent Seven (1960) de John Sturges, The Guns of Navarone (1961) de J. Lee Thompson, The Dirty Dozen (1967) de Robert Aldrich, só para mencionar alguns.

 

 

Curiosamente, este filme foi nomeado para dois Óscares da Academia para melhor guarda-roupa e melhor direção artística.

 

O filme, que é um pouco mal amado pelos japoneses (um sentimento muito popular entre nós também), mas é um marco na história do cinema pelo impulso que deu ao cinema ocidental através das novidades introduzidas no processo criativo e técnico, construindo as bases para muitos sucessos do cinema mundial.

 

Classificação SMN: 8/10.

Novidades no SMN

No Sessão da Meia Noite vamos iniciar uma ronda pelos filmes considerados pela generalidade dos meios cinéfilos como os melhores de sempre, ou aqueles que todos os verdadeiros aficionados deveriam ver.

 

Esta ronda, que será identificada com o tag de The Best Of nos posts respetivos, vai buscar a sua inspiração às listas de melhores de sempre publicadas pelo IMDb, pelos 1001 Movies To See Before You Die de Steven Jay Schneider, e pelas opções dos entendidos nacionais publicados pelos jornal Expresso.

 

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Como é óbvio, esta lista é dinâmica e vai passar a fazer parte integrante do corpo principal do Sessão da Meia Noite.

 

Para iniciar esta lista pessoal, vamos falar de um filme pouco conhecido, mas que está na origem de alguns dos westerns mais conhecidos de sempre, e não só, e é considerado como o primeiro filme verdadeiramente de ação.

 

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Os Sete Samurais é um dos melhores filmes japoneses de sempre, um marco do cinema mundial e um precursor de muitos sucessos do cinema moderno.

 

Vejam o post seguinte!

Iron Man 3

De volta ao Marvel Cinematic Universe (MCU) revimos recentemente um filme sobre o nosso super-herói favorito: Iron Man. Este filme de 2013 marca o início da fase dois do MCU, com a sua história a decorrer no rescaldo da ação de The Avengers – Os Vingadores de 2012.

 

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Iron Man 3 – Homem de Ferro 3, 2013, de Shane Black, com Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Don Cheadle, Guy Pearce, Rebecca Hall, Jon Favreau, Ben Kingsley, James Badge Dale, Stephanie Szostak, Paul Bettany, William Sadler, Ty Simpkins, Miguel Ferrer, Xueqi Wang, Shaun Toub, Stan Lee.

 

A nossa história decorre imediatamente após os eventos de Os Vingadores com Tony Stark (Robert Downey Jr.) a sofrer de ataques de ansiedade por causa do eventos de New York.

 

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Para ocupar o seu tempo, dedica-se à criação de diferentes fatos de Iron Man, chegando a fabrica quarenta e duas unidades. Obviamente sem que a sua namorada Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) tenha disso conhecimento.

 

Para apimentar a história começam a ocorrer ataques terroristas levados a cabo por um elusivo Mandarin (Ben Kingsley), que aparece nas televisões com ameaças, sem que se consigam perceber os seus objetivos.

 

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Para marcar a sua posição, e demonstrar o seu poder sobre Iron Man, o Mandarim destrói a casa de Tony Stark. Este episódio leva Tony na procura cessante pelo Mandarin com o objetivo de terminar com os seus planos.

 

Afinal, o Mandarin que se vê na televisão acaba por se revelar um fantoche nas mãos de um inimigo antigo de Tony: Aldrich Killian (Guy Pierce), cocriador do vírus Extremis, juntamente com a cientista Maya Hansen (Rebecca Hall).

 

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Esta linha cronológica teve início treze anos antes destes eventos, numa conferência na Suíça, onde Tony conheceu os seus oponentes, e os descartou sem lhes dar grande importância.

 

Como curiosidade, nessa conferência podemos ver Ho Yinsen (Shaun Toub), que já tínhamos conhecido em Iron Man (2008), confirmando a ligação entre filmes e definindo esta sequência inicial como anterior aos eventos de Iron Man (2008).

 

O desfecho desta aventura vai colocar em sério risco de vida os entes mais próximos de Tony: Pepper e Happy Hogan (Jon Favreau), revelando os seus muitos brinquedos  (fatos), mas relembrando-o daquilo que é mais importante na sua vida.

 

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Este filme não traz consigo muitas novidades. É a continuação da história de Tony Stark, numa perspetiva praticamente isolada dos restantes heróis, mas com uma boa quantidade de fortes cenas de ação.

 

O único herói que consegue algum tempo de ecrã é War Machine do Coronel James Rhodes (Don Cheadle) que, por motivos publicitários, foi renomeado de Iron Patriot e pintado com as cores americanas: vermelho, branco e azul.

 

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A realização de Shane Black é muito boa, demonstrando larga experiência na realização de cenas de ação complexas e atrativas, tendo por base um argumento que que coassinou, juntamente com Drew Pierce.

 

O filme mantém os fãs interessados, numa construção facilmente imaginada como se de uma banda desenhada se tratasse, com um nível de qualidade elevado.

 

 

Além da história, da ação, e dos heróis de banda desenhada, não há muito mais a dizer sobre este filme. Para muitos vai parecer mais do mesmo que, na realidade, não é mentira. Nós gostámos bastante, porque somos fãs de banda desenhada, deste tipo de filmes e dos atores do elenco.

 

Classificação SMN: 8/10.

La Casa de Papel

Acompanhando a publicidade que todos os social media têm produzido, o Sessão da Meia Noite também já terminou de ver a segunda parte da série do momento.

 

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La Casa de Papel, 2017, de Álex Pina, com Úrsula Corberó, Itziar Ituño, Álvaro Morte, Paco Tous, Pedro Alonso, Alba Flores, Miguel Herrán, Jaime Lorente, Esther Acebo, Enrique Arce, María Pedraza, Darko Peric, Kiti Manver, Brian Beacock, Fernando Soto, Mário De La Rosa, Juan Fernández, Clara Alvarado, Roberto Garcia.

 

Esta série de 22 episódios (na sua versão Netflix), mostra-nos o desenrolar, e o planeamento, do assalto perfeito à Real Casa da Moeda Espanhola – Fábrica Nacional de Moneda y Timbre.

 

Oito assaltantes com nomes de cidades: Tokio (Úrsula Corberó), Berlin (Pedro Alonso), Nairobi (Alba Flores), Moscovo (Paco Tous), Rio (Miguel Herrán), Denver (Jaime Lorente), Oslo (Roberto García) e Helsínquia (Darko Peric), vestidos em macacões vermelhos e com máscaras de Dali, tomam de assalto, em pleno dia, as instalações da Casa da Moeda em Madrid, fazendo pelo caminho 67 reféns, entre funcionários e visitantes.

 

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A polícia é imediatamente alertada para a ocorrência e monta um dispositivo de acompanhamento da situação, com negociadores para tentar libertar os reféns e grupos de operações especiais para estudarem uma opção mais musculada de resolução da situação

 

Cedo se percebe que as reais intenções dos assaltantes não são roubar per si, mas sim imprimir 2,4 mil milhões de euros nas máquinas de impressão da Casa da Moeda, sem registos conhecidos, ficando assim completamente livre de rastreios pelos códigos das notas.

 

Para o efeito precisam de se manter no interior das instalações pelo menos onze dias.

 

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Os oito assaltantes são guiados pelo cérebro da operação – o Professor (Álvaro Morte), que está no exterior a controlar as operações da polícia e a orientar os seus colegas no interior.

 

A polícia vai sendo “orientada” pelos planos do Professor, numa demostração de um plano rigoroso e muito meticuloso, que consegue antecipar e reagir de acordo com qualquer situação nova que a polícia crie.

 

Este jogo do gato e do rato, cujos papéis parecem estar invertidos, possibilita a criação, para o espetador, de um ambiente clássico de um thriller bem construído, onde cada episódio nos trás novidades inesperadas, que nos surpreendem e nos levam a questionar o desenrolar das ações futuras.

 

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Pelo meio da ação vamos percebendo a existência de algumas relações amorosas (não permitidas pelo Professor, mas enfim!), assim com o nascimento de outras, derivadas do longo período de convivência entre assaltantes e reféns que, inevitavelmente gera momentos de empatia e compreensão entre ambos os lados do assalto.

 

Um dos únicos imprevistos não planeados pelo Professor é na realidade o nascimento de uma relação com a inspetora principal do caso Raquel Murillo (Iziar Ituño), que vai deitar o plano todo a perder… ou talvez não.

 

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Esta série da Antena 3, teve uma repercussão enorme no público, após a sua contratualização com o Netflix que disponibilizou uma primeira parte de 13 episódios a 25 de dezembro de 2017 (com uma edição diferente da original) e uma segunda parte a 6 de abril de 2018.

 

Esta série demonstra que existe muita qualidade na televisão europeia, neste caso  na Espanhola, com atores de grande qualidade e produções que conseguem ombrear com qualquer série americana.

 

O Sessão da Meia Noite aconselha a sua visualização sem qualquer tipo de dúvida.

 

 

Classificação SMN: 9/10.

Iron Man 2

O terceiro filme do MCU, volta a um dos nossos heróis favoritos - Iron Man, mas desta vez, numa perspetiva de alargamento do universo Marvel, introduzindo mais personagens, e aumentado o destaque de outros que já havíamos visto mas de um modo muito superficial.

 

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Iron Man 2 - Homem de Ferro 2, 2010, de Jon Favreau, com Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Don Cheadle, Scarlett Johansson, Sam Rockwell, Mickey Rourke, Samuel L. Jackson, Clark Gregg, John Slatery, Garry Shandling, Paul Bettany, Kate Mara, Leslie Bibb, Jon Favreau, Christiane Amanpour, Larry Ellison, Evgeniy, Lazarev, Stan Lee, Olivia Munn, Elon Musk.

 

Este filme segue a cronologia sequencial definida pelo MCU, e a ação decorre após o primeiro Iron Man, mas desta vez conduzida por diversas linhas de argumento paralelas, que, eventualmente, se acabam por se intersetar.

 

Por um lado temos Tony Stark a ser pressionado pelo governo dos Estados Unidos em entregar o seu fato de Iron Man aos militares. No entanto,  este mantém a sua recusa enfática e publicamente.

 

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Por outro lado, outro plot do argumento apresenta Tony Stark a ser envenenado pelo reator de arco (arc reactor) que lhe salva a vida permanentemente (instalado no seu peito), e que dá energia ao fato do Iron Man.

 

Como curiosidade, o envenenamento de Tony estava a ser causado por pastilhas de paládio que alimentam o reator de arco. Na realidade, o paládio não poderia ter tal reação pois não tem qualquer propriedade tóxica (enfim!).

 

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Noutra vertente do argumento, este filme também introduz Ivan Vanko (Mickey Rourke) no MCU, um físico russo, brilhante, que tem um grande desejo de vingança contra Tony Stark, por problemas familiares entre os pais dos dois.

 

No lado dos personagens de caráter duvidoso temos a aparição de Justin Hammer (Sam Rockwell), um concorrente de Tony Stark no fornecimento de armamento, que tenta ficar com os seus antigos contratos de fornecimento de material bélico, e auxilia o governo dos Estados Unidos na sua contenda pelo Iron Man.

 

A organização S.H.I.E.LD. também ganha mais tempo de écran com Nick Fury (Samuel L. Jackson) a ter um papel orientador de Tony, quase paternal, auxiliado pelo Agente Coulson (Clark Gregg) e pela bela Natalie Rushman/Natasha Romanov a.k.a. Black Widow (Scarlett Johansson).

 

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De notar a substituição de Terrence Howard por Don Cheadle no papel do Tenente Coronel James "Rhodey" Rhodes, alegadamente por problemas entre o ator e a equipa de produção. Rhodey, que neste filme se torna na War Machine, quando "rouba" um dos fatos de Iron Man a Tony Stark, para o entregar às Forças Armadas Americanas.

 

Também como curiosidade temos o retorno de Leslie Bibb ao papel da jornalista Christine Everhart, mas aqui contracenando com o seu companheiro na vida real: Sam Rockwell.

 

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E assim temos criado o emaranhado de plots e subplots que constroem o argumento de mais este filme de super-heróis.

 

A realização é muito competente e foca a história nos pressupostos do Iron Man que são a tecnologia e a ciência, num misto de muita ação e muito boas interpretações.

 

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A estratégia de utilizar atores de qualidade reconhecida, que continuam nas suas personagens de filme para filme, cria uma ligação mais fácil do espetador aos filmes e à realidade do MCU, que a Marvel quer que seja crescente, retratando aquilo que se verifica nos comics.

 

É mais uma obra muito bem construída que merece a nossa atenção, especialmente para os fãs de super-heróis.

 

Classificação SMN: 9/10.

 

 

O Mecanismo - Temporada 1

Por vezes, os meios e a disponibilidade do Netflix, conseguem possibilitar a realizadores importantes, desenvolverem trabalhos atuais e potencialmente polémicos que, nos meios tradicionais, seriam facilmente ocultados em horários impossíveis de ver.

 

Este é o caso da mais recente série assinada por José Padilha, sobre o atualíssimo escândalo de corrupção Lava Jato, no Brasil.

 

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O Mecanismo, 2018, de José Padilha com Selton Mello, Caroline Abras, Enrique Diaz, Jonathan Haagensen, Osvaldo Mil, Suzana Ribeiro, Otto Jr., António Saboia, Lee Taylor, Leonardo Medeiros, Alessandra Colassanti, Pietro Mário, Priscila Assum, Caio Junqueira, Carla Ribas, Emílio Orciollo Netto, Helena Ranaldi.

 

Esta série pretende apresentar, de um modo ficcionado, e de uma maneira muito simples e fácil de entender, o escândalo de corrupção que varre os ricos e poderosos do Brasil desde 2014.

 

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O Mecanismo foi inspirado no livro “Lava Jato – O Juiz Sérgio Moro e os Bastidores da Operação que Abalou o Brasil” de Vladimir Netto, e segue o delegado Marco Ruffo (Selton Mello), aposentado compulsivamente da Polícia Federal, mas completamente obcecado pelo caso e continua a investigar.

 

Quase sem darem por isso, Ruffo e a sua colega Verena Cardoni (Caroline Abras) ficam mergulhados na maior investigação de desvio e lavagem de dinheiro da história do Brasil.

 

A investigação de Ruffo e Verena começa por apanhar o doleiro Roberto Ibrahim (Enrique Diaz) num esquema de lavagem de dinheiro que envolvia políticos locais de Curitiba, capital do estado do Paraná.

 

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Ibrahim e os seus cúmplices, evocam a lei da Delação Premiada e, em troca dos seus testemunhos, conseguem penas leves, sem nunca revelarem informações muito prejudiciais para o poder político.

 

Mas a persistência da Polícia Federal no caso Roberto Ibrahim leva, anos mais tarde, à descoberta de dinheiros trocados em troca de favores políticos utilizando como veículo a empresa PetroBrasil.

 

A partir deste ponto, a colaboração entre o juiz incorruptível Paulo Rigo (Otto Jr.), os serviços da Policia Federal e o Ministério Público de Curitiba, conseguem efetuar buscas nas casas e escritório de um diretor da PetroBrasil que revelam o início da teia de interesses e corrupção instalada no poder político e empresarial brasileiro.

 

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Nesta intervenção batizada de Operação Lava Jato (pelo fato dos escritórios do doleiro Roberto Ibrahim se situarem numa Lava Jato), é descoberto que as treze maiores construtoras do Brasil pagavam subornos a dirigentes da PetroBrasil, e a políticos eleitos, de modo a ganharem obras publicas que, por sua vez eram sobrefaturadas.

 

Esta sobrefaturação era distribuída pelos empreiteiros, e novamente pelos políticos, servindo para o financiamento de campanhas políticas, inclusivamente campanhas presidenciais.

 

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Ora, o paralelismo com a realidade não é coincidência e, a comprovar este facto estão as reações públicas de condenação da série de Lula da Silva, Dilma Rousseff e dos principais dirigentes do Partido dos Trabalhadores.

 

Obviamente que se trata de uma obra de ficção, com as normais liberdades criativas. No entanto, uma leitura mais atenta da informação disponível sobre o caso Lava Jato, diz-nos que na realidade, a teia de corrupção no sistema político Brasileiro é muito maior que aquela apresentada na série, mais complexa e rebuscada.

 

Contudo, parece-nos inegável que a todos os políticos brasileiros dos últimos tempos tinham conhecimento ou beneficiaram deste esquema de enriquecimento ilícito.

 

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Voltando à série, José Padilha consegue trazer até nós um trabalho de elevada qualidade, na linha do que já tinha conseguido em Tropa de Elite (2007) e Tropa de Elite 2 (2010), mostrando mais uma face da realidade brasileira, de um modo frontal e sem filtros.

 

O elenco encabeçado por Selton Mello e Caroline Abras, encaixou nas suas personagens com uma naturalidade enorme, demonstrando a elevada qualidade dos atores brasileiros da atualidade.

 

 

O Mecanismo deixa-nos de tal modo interessados que estamos ansiosos pelo anúncio (que esperamos possa acontecer em breve) da renovação para uma segunda temporada.

 

Classificação SMN: 9/10.

The Incredible Hulk (2008)

O segundo filme do Marvel Cinematic Universe (MCU) é sobre a origem de uma dos heróis menos consensuais do espetro: Hulk, pelo menos para o Sessão da Meia Noite.

 

Lançado dois meses após Iron Man, teve como objetivo a introdução do monstro verde no MCU, constituindo um dos pilares base do que viriam a ser os Vingadores.

 

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The Incredible Hulk – O Incrível Hulk, 2008, de Louis Leterrier, com Edward Norton, Liv Tyler, Tim Roth, William Hurt, Tim Blake Nelson, Ty Burrell, Cristina Cabot, Peter Mensah, Lou Ferrigno, Débora Nascimento, Michael Kenneth Williams, Stan Lee, Robert Downey Jr., Paul Soles.

 

Desde logo, devemos referir que Hulk nunca foi um dos nossos heróis favoritos, pelo que escolhemos ver o filme pela sua continuidade no universo MCU, mas com algumas reservas.

 

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Edward Norton é o Dr. Bruce Banner que, no seu laboratório da Universidade de Culver, experimenta um procedimento, cujo objetivo é tornar os seres humanos imunes à radiação gama, teste esse que corre terrivelmente mal.

 

Esta experiência, que é parte do programa de desenvolvimento dos “super soldados” da segunda guerra mundial, que criou o Capitão América (mas que nós só vamos ver no cinema mais tarde), expõe Bruce Banner a altas doses de radiação gama, transformando-o no Hulk.

 

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Este acontecimento provoca a destruição do laboratório e, por sua vez, o desaparecimento de Bruce.

 

Voltamos a reencontrar Bruce Banner cinco anos mais tarde, a trabalhar numa fábrica de refrigerantes na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, aprendendo a controlar o seu corpo para evitar a transformação em Hulk e, incessantemente à procura de uma cura.

 

Como curiosidade temos que o refrigerante, que deverá ser guaraná, chama-se Pingo Doce (uma coincidência que só os portugueses vão perceber).

 

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Mas, um infortúnio, faz com que um pouco do sangue de Bruce caia numa garrafa de refrigerante, garrafa essa que fará parte de um lote para os Estados Unidos da América.

 

O consumidor (que é Stan Lee), apresenta uma reação anormal ao beber o refrigerante, o que chama a atenção dos militares, liderados pelos General Thaddeus “Thunderbolt” Ross (William Hurt).

 

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A partir deste ponto, a história desenvolve-se em duas frentes paralelas, ou seja: por um lado temos a perseguição dos militares a Bruce Banner, cujo líder de equipa é Emil Blonsky (Tim Roth), e por outro lado temos Bruce Banner à procura de uma cura para o seu problema, ajudando pelo seu amor do antigamente Betty Ross (LivTyler), filha do General “Thunderbolt” Ross.

 

O argumente introduz um outro personagem no MCU que é o monstro Abomination, resultado do uso de soro da experiência do “super soldado” em Emil Blonsky.

 

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O filme, para nós teve um resultado inesperado que foi a criação de uma empatia especial por Hulk, humanizando de alguma forma a sua monstruosidade. Gostámos do filme e ficámos a gostar do Hulk.

 

Mais tarde, esta personagem vai ser mais desenvolvida, à medida que Bruce Banner aprende a controlar melhor o Hulk, e ganha um humor muito especial, mas por agora foi muito bom.

 

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O realizador, que já tinha tido bons resultados em Transporter (2002) e Danny The Dog (2005), conseguiu fazer um trabalho de qualidade, completamente integrado no MCU, despertando a nossa curiosidade para os capítulos futuros desta Saga.

 

Fomos muito surpreendidos pela prestação de Edward Norton, que conseguiu criar um Bruce Banner muito sensível e responsável, desesperado à procura de uma cura.

 

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William Hurt também é de destacar pelo seu trabalho na criação de um General que parece que foi tirado a papel químico dos livros de banda desenhada.

 

Não deixa de ser um filme de super-heróis, mas é muito bem estruturado e construído, e na nossa opinião somente foi prejudicado na bilheteira pela estreia muito próxima do Iron Man.

 

Classificação SMN: 8/10.

 

 

Iron Man

Em 2008 a Marvel deu início a uma estratégia de expansão - Marvel Cinematic Universe (MCU), em nome próprio, do seu universo de super-heróis para o cinema, numa tentativa de tirar dividendos do seu portfolio num meio ainda com poucos resultados significativos.

 

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O MCU consiste numa série de filmes cronologicamente definidos e interligados, composto de versões stand-alone de cada super-herói, e de filmes crossover onde aparecem e interagem diversos personagens dos livros de banda desenhada.

 

Hoje falamos do primeiro filme desta universo, que continua a ser um dos nossas favoritos.

 

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Iron Man - O Homem de Ferro, 2008, de Jon Favreau, com Robert Downey Jr., Terrence Howard, Jeff Bridges, Gwyneth Paltrow, Leslie Bibb, Shaun Toub, Faran Tahir, Clark Gregg, Paul Bettany, Jon Favreau, Samuel L. Jackson.

 

Esta introdução ao universo Marvel é um filme sobre as origens do Iron Man, sem a intervenção de outros super-heróis, mas com a introdução subtil de algumas referências que, no futuro, farão a ligação entre as diversas histórias Marvel.

 

Tony Stark (Robert Downey Jr.) é  um playboy rico e extremamente inteligente, que lidera um conglomerado enorme de empresas de fabrico de armas, e que se encontra no médio oriente para uma demonstração da sua mais recente tecnologia.

 

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Esta apresentação, que na realidade se reveste de uma traição encapotada, leva Tony a ser capturado pelos rebeldes locais, numa ação que o deixa gravemente ferido. Após a sua recuperação, que implica a implantação de um eletroíman no seu peito, Tony é forçado a fabricar uma poderosa arma para salvar a sua vida.

 

Contudo, em vez de colaborar com os seus captores, Tony fabrica uma armadura que lhe permite escapar do cativeiro, não sem antes perceber a extensão dos danos que a politica empresarial das Stark Enterprises fazem pelo mundo.

 

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Este abrir de olhos leva a uma mudança empresarial radical, que não agrada aos poderes instalados, nomeadamente ao seu mentor Obadiah Stane (Jeff Bridges) que vai tentar todas as estratégias para o afastar do comando das empresas.

 

Ao mesmo tempo que abandona pretende abandonar o fabrico de armas, Tony desenvolve e melhor a sua ideia de armadura protetora naquilo que o ajudar a se tornar no verdadeiro Iron Man.

 

Este filme é a experiência mais próxima de um livro de banda desenhada havia até à altura. Todas as outras experiências com super-heróis, com algumas exceções muito honrosas: Super-Man (de 1978 a 1987) e Spider-Man (de 2002 a 2007), nunca tiveram a capacidade de conseguir cativar os apreciadores de banda desenhada, pela falta de ligação entre os dois meios.

 

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Os atores escolhidos para este filme são de excelente qualidade, começando por Robert Downey Jr. que, com o seu temperamento em cena, construiu um Tony Stark/Iron Man que atrai o publico, pelo assumir das suas falhas ao mesmo tempo que se vangloria das suas qualidades.

 

Jeff Bridges, Gwyneth Paltrow e Terrence Howard também estão muito bem, criando uma rede de apoio e antagonismo a Tony, num contexto totalmente compatível com a banda desenhada.

 

Como referências cruzadas temos a introdução da agência S.H.I.E.L.D. pelo agente Coulson (Clark Cregg,) e do projeto Vingadores, mencionado numa cena pós genérico final por Nick Fury (Samuel L. Jackson).

 

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Este filme, beneficia do facto de ser sobre um super-heróis que na realidade é um homem comum (ou mais ou menos), sem poderes sobre humanos, que desenvolve uma tecnologia que o torna diferente.

 

Com um especial enfoque na ação, o realizador conseguiu com que a fantasia visual dos comics, fosse transposta para as telas do cinema, de um modo que agrada de sobremaneira aos fãs e, ao mesmo tempo, responde ao plano da Marvel para este início de saga.

 

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A aceitação do publico chegou na forma de um grande sucesso comercial, abrindo as portas deste Universo riquíssimo da banda desenhada ao cinema mainstream.

 

Pessoalmente, revimos o filme para fazer estes comentários e podemos dizer que, depois de quase 20 filmes produzidos nesta saga, Iron Man continua a ser um dos nossos heróis e filmes favoritos nesta Saga.

 

Classificação SMN 9/10.

 

 

Prémios Sophia 2018 - Vencedores

Decorreu no passado dia 25 de Março, a cerimónia de entrega dos prémios da Academia Portuguesa de Cinema - os Prémios Sophia 2018, no Casino Estoril.

 

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Sem grande surpresa, o grande vencedor acabou por ser São Jorge de Marco Martins, com sete prémios em catorze nomeações, entre eles Melhor Filme, Melhor Realização e Melhor Ator.

 

Os vencedores da noite, além dos agradecimentos do costume, foram deixando os seus comentários acerca do estado da cultura em Portugal, em especial da relação aparentemente pouco transparente e conturbada entre os agentes do setor e o Estado.

 

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Nuno Lopes referiu que "os anos da crise ainda não passaram" e que "continuamos a ser desrespeitados constantemente nos atrasos dos concursos e na forma pouco clara como são atribuídos", numa alusão aos concursos de apoio ao audiovisual de 2018.

 

Os prémios de mérito e excelência atribuídos pela Academia foram para a caracterizadora Ana Lorena, o realizador e ensaísta Lauro António e o realizador de animação Artur Correia, recentemente falecido.

 

Aqui fica a lista completa dos vencedores.

 

Melhor Filme

São Jorge

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Melhor Realizador

Marco Martins - São Jorge

 

Melhor Atriz Principal

Rita Blanco - Fátima

 

Melhor Ator Principal

Nuno Lopes - São Jorge

 

Melhor Atriz Secundária

Isabel Abreu - Uma Vida à Espera

 

Melhor Ator Secundário

José Raposo - São Jorge

 

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Melhor Documentário em Longa-Metragem

Nos Interstícios da Realidade ou o Cinema de António de Macedo

 

Melhor Argumento Original

Ricardo Adolfo e Marco Martins - São Jorge

 

Melhor Banda Sonora Original

Rita Redshoes & The Legendary Tigerman - Ornamento e Crime

 

Melhor Canção Original

Fim - composição e interpretação Lúcia Moniz - Uma Vida à Espera

 

Melhor Fotografia

Carlos Lopes - São Jorge

 

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Melhor Efeitos Especiais/Caracterização

Nuno Esteves "Blue" - Peregrinação

 

Melhor Série

Madre Paula

 

Melhor Direção Artística

Wayne dos Santos - São Jorge

 

Melhor Som

Pedro Melo, Elsa Ferreira e Branko Neskov - Al Berto

 

Melhor Guarda Roupa

Sílvia Grabowski - Peregrinação

 

Melhor Maquilhagem e Cabelos

Rita Castro, Felipe Muiron - Peregrinação

 

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Melhor Montagem

Cláudia Oliveira, Edgar Feldman, Luísa Homem - A Fábrica de Nada

 

Melhor Argumento Adaptado

Pedro Pinho, Luísa Homem, Leonor Noivo, Tiago Hespanha baseado na peça original "The Nothing Factory" de Judith Herzberg - A Fábrica de Nada

 

Melhor Documentário em Curta-Metragem

O Homem Eterno de Luís Costa

 

Melhor Curta-Metragem de Ficção

Coelho Mau de Carlos Conceição

 

Curta-Metragem de Animação

A Gruta De Darwin de Joana Toste

 

Prémio Sophia Estudante

Snooze de Dinis Leal Machado - ESMAD

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