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Sessão da Meia Noite

Comentários pessoais e (in)transmissíveis sobre cinema e televisão.

Sessão da Meia Noite

Comentários pessoais e (in)transmissíveis sobre cinema e televisão.

Iverson by Zatella Beatty

Uma das figuras mais proeminentes da NBA dos anos 90 e início dos anos 2000 foi Allen Iverson. Jogador controverso e rebelde que, apesar pelas suas origens e das suas atitudes, conseguiu com o seu talento ser um dos maiores nomes da NBA logo a seguir a Michael Jordan.

 

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Iverson, 2014, de Zatella Beatty, com Allen Iverson, Larry Brown, Tom Brokaw.

 

Iverson é um documentário contado essencialmente na primeira pessoa, abordando as questões mais complicadas e polémicas da carreira desportiva de Allen Ezail Iverson, com a sua prisão ainda como adolescente, as suas ligações ao movimento Hip-Hop e as tatuagens.

 

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Apesar deste documentário, por vezes, poder ser visto como um pouco intrusivo na vida pessoal de Allen Iverson, acaba por funcionar como um lembrete das tensões culturais que periodicamente envolvem os atletas da NBA.

 

O script deste documentário tem início na infância muito pobre de Allen Iverson, crescendo sem pai, mas com uma juventude com excelentes resultados desportivos no futebol americano e no basquetebol, vislumbrando-se um futuro brilhante.

 

Contudo, a sua história tem uma grande percalço quando Allen Iverson e alguns amigos são presos por uma briga num salão de bowling, e o sistema judicial decide fazer de Allen um exemplo devido à sua notoriedade.

 

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Allen acaba por ser condenado a 15 anos de prisão efetiva. Contudo, a sua pena acaba por ser comutada, no entanto, as propostas das universidades que andavam a tentar contratá-lo desapareceram.

 

Allen acaba por ser contratado pela universidade de Georgetown sob a responsabilidade do treinador John Thompson.

 

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Allen não desilude e as suas performances fizeram-no a primeira escolha do draft da NBA de 1996 e, consequentemente um jogado com estatuto de All-Star.

 

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No entanto, o seu comportamento fora da establisment desagradava aos responsáveis da liga (David Stern) e aos treinadores que o acusavam de ter comportamentos de gangster.

 

Todas estas questões tiveram o seu penso na carreira de Allen, que acabou por ser dispensado de algumas equipas da NBA, tendo terminado a sua carreira a jogar pelo Besiktas na Turquia em 2011.

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Ao longo da sua carreira profissional com jogador de basquetebol Allen Iverson passou pelos Philladelphia 76ers, Denver Nuggets, Detroit Pistons, Menphis Grizzlies e Besiktas.

 

Iverson é um documentário que parece querer reabilitar a imagem de Allen junto da opinião pública, apresentado uma perspetiva simpática sobre as suas escolhas e o seu estilo de vida.

 

É no fundo um registo histórico com muitos relatos de colegas e treinadores, sobre o génio complicado de um jogador com 1,83m de altura, que chegou ao patamar de poder ser comparado a Michael Jordan.

 

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Mostra também um pouco do grande conservadorismo das regras da NBA e seus representantes, e as dificuldades em aceitar comportamentos diferentes ou alternativos.

 

A dificuldade de Allen Iverson em lidar com essas regras acabou por determinar as trocas de equipas e, consequentemente, o seu desencanto em jogar basquetebol.

 

É um exercício muito interessante sobre a cultura da NBA, que vale a pena ver, com a devida distância e discernimento, de modo a cada um apreciar por si a tentativa de branqueamento de alguns comportamentos.

 

Para os fãs da NBA este documentário é um pedaço essencial de história contemporânea.

Multi-Facial by Vin Diesel

Passando pelo universo das curtas-metragens, o Sessão da Meia Noite descobriu recentemente um trabalho da início a carreira do ator de ação Vin Diesel.

 

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 Multi-Facial, 1995, de Vin Diesel, com Vin Diesel, Lewis Steidl, Lara Gafeen.

 

Esta curta-metragens de 20 minutos foi o primeiro trabalho de Vin Diesel. Neste primeiro exercício Diesel escreveu, atuou, realizou e até foi responsável pela escolha da banda sonora. “Jack of all trades” ou, em bom Português, um pau para toda a obra.

 

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Estava no início da sua carreira, a milhas de distância de Riddick ou de Dominic Toretto, e Diesel encontrou este meio para demonstrar a dificuldade dos jovens atores no mundo dos castings.

 

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Este trabalho acaba por ser semiautobiográfico, incorporando material recolhido dos seus próprios castings, documentando a frustração de um jovem ator de aspeto multiétnico, a tentar obter trabalho.

 

Vin Diesel, nascido Mark Sinclair, em 1967, tem ascendência inglesa, germânica, escocesa e irlandesa por parte da mãe e o seu pai adotivo era negro. Vin nunca menciona muito o seu pai biológico, mas vai dizendo que deveria ser “definitivamente uma pessoa de cor”.

 

Ficando assim facilmente justificada a multietnicidade.

 

Este trabalho foi realizado em New York, numa altura em que Vin Diesel tinha retornado de Hollywood desiludido com a indústria do entretenimento.

 

Multi-Facial, juntamente coma longa-metragem Strays – Instinto Assassino de 1997 (também escrito por Diesel), foram os primeiros trabalhos que deram visibilidade a Vin Diesel, catapultando-o mais tarde para outros tipos de papéis.

 

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Mas a história de Strays fica para outra altura.