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Sessão da Meia Noite

Comentários pessoais e (in)transmissíveis sobre cinema e televisão.

Sessão da Meia Noite

Comentários pessoais e (in)transmissíveis sobre cinema e televisão.

Twin Peaks - Temporada 1

Uma cidade pequena no meio de lugar nenhum, rodeada de florestas e montanhas, uma jovem assassinada, um agente do FBI com muitas idiossincrasias, e uma população cheia de segredos, constituem a substância do contexto de uma das melhores séries de culto dos últimos 30 anos.

 

Por ocasião do lançamento de uma nova temporada, o Sessão da Meia Noite decidiu revisitar o culto desta série mítica de David Lynch.

 

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Twin Peaks, 1990, de David Lynch, com Kyle Maclachlan, Michael Ontkean, Madchen Amick, Dana Ashbrook, Richard Beymer, Lara Flynn Boyle, Sherilyn Fenn, Warren Frost, Peggy Lipton, James Marshall, Everett McGill, Jack Nance, Joan Chen, Ray Wise, Piper Laurie, Kimmy Robertson, Eric Da Re, Harry Goaz, Michael Horse, Sheryl Lee, Russ Tamblyn, Kenneth Welsh, Miguel Ferrer, David Lynch, Heather Graham, Billy Zane, Walter Olkewicz, David Duchovny, Wendy Robie, Grace Zabriskie, Catherine E. Coulson.

 

A primeira temporada de Twin Peaks tinha somente 8 episódios e foi emitida na ABC Network entre 8 de abril e 23 de maio de 1990.

 

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O episódio piloto tem início com a descoberta do corpo de uma jovem – Laura Palmer (Sheryl Lee), envolvido em plástico. Laura havia sido assassinada e este evento vai criar repercussões ao mais ínfimo nível na pequena cidade madeireira de Twin Peaks.

 

A investigação do crime é encabeçada pelo excêntrico agente do FBI Dale Cooper (Kyle Maclachlan), auxiliado pelo xerife local Harry S. Truman (Michael Ontkean) e o seu corpo de agentes que, à medida que vai conhecendo os habitantes locais, se vai apercebendo de um grande conjunto de bizarrias e comportamentos estranhos, escondidos por debaixo de uma capa de simpatia ou indiferença.

 

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À medida que a investigação avança, a aparência normal e pacata de Twin Peaks começa a desaparecer, sendo substituída por uma visão mais negra, cheia de interesses ocultos, e comportamentos estranhos.

 

Aos poucos vamos, descobrindo que o que parece, muito raramente é, e as ramificações negras descobertas pela investigação, vão colocar em causa a reputação dos mais altos responsáveis da cidade.

 

Por um lado, Dale descobre que Laura era viciada em cocaína, e que enganava o namorado (que era traficante de droga nas horas vagas) com um motoqueiro com quem planeava fugir de Twin Peaks. Há … e também se prostituía ocasionalmente num clube que era do patrão do pai dela.

 

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Por outro lado, Dale Cooper também tem um estilo de investigação algo peculiar, baseando algumas das suas suposições em sonhos e visões que lhe vão ocorrendo, numa clara ligação ao sobrenatural, sempre presente no desenrolar da história.

 

A vida em Twin Peaks nunca mais será a mesma. Todos os podres e comportamentos escusos dos seus habitantes vão sendo colocados a nu, mostrando a verdadeira face de uma pacata cidade de interior onde, na realidade, parece que todos estão ou a esconderem-se do seu passado, ou com medo do seu futuro.

 

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David Lynch e Mark Frost conseguiram fazer uma série que teve uma aceitação enorme por parte do público e da crítica, inclusivamente foi logo renovada para uma segunda temporada, que estreou a 30 de setembro do mesmo ano, beneficiando do estatuto de estrela pouco convencional de David Lynch, e da atmosfera que ambos conseguiram criar para uma cidade com uma patine muito própria, sombria, chuvosa, escondida do mundo.

 

No Sessão da Meia Noite revisitámos recentemente esta primeira temporada que nos trouxe algumas agradáveis memórias dos tempos em que quase não havia internet e que os videogravadores eram a maior fonte de divulgação de séries e filmes.

 

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Apesar de algumas questões de qualidade de imagem, a série continua a manter o seu encanto e a agarrar o espetador à estranha realidade de Twin Peaks e do seu mais famoso forasteiro.

 

Numa altura em que este produto de televisão era raro, a qualidade atingida em Twin Peaks transformou grande parte dos seus espetadores em fãs aguerridos, sempre à espera de conhecer um pouco mais do futuro de Dale Cooper, e do passado de Laura Palmer e dos estranhos habitantes desta sinistra cidade.

 

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A juntar a este ramalhete, a banda sonora de Angelo Badalamenti atribui uma substância particular à patine meia gasta criada por Lynch, elevando a série ainda mais acima do nível médio do que era feito na altura.

 

Por ocasião do lançamento da terceira temporada desta série mítica, no Sessão da Meia Noite iremos comentar mais títulos dedicados a Twin Peaks. Aguardem!